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30.5.14

O encontro

  O primeiro encontro visto pelo outro ponto de vista.

  Dia 28 de Maio, 2014. Um dia aparentemente normal, como todos os outros.
A meteorologia apontava para chuva. Deus andara a prometer um verão quente com as últimas quedas de água. Lourenço, eu, acordei naquele dia sobressaltado com o toque do despertador. Dormira apenas três horas. O suficiente para aguentar um dia que prometia ser especial. Tinha um encontro marcado para as catorze horas, em Leiria.
Às doze, entrei no autocarro que me levaria a Leiria. Estava cansado – fruto do dia anterior, e com sono. Iria encontrar-me com Tânia, uma rapariga que demonstrara ser interessante e, por causas que terei de perguntar a Deus, mexeu com a minha pessoa. No autocarro, acabei por não dormir: passei a viagem a conversar com um estrangeiro que encontrara por acaso. O jovem era super acolhedor e vi ali uma oportunidade de passar o tempo.
Chegámos a Leiria à hora prevista. Fiquei automaticamente encantado com a cidade! Tânia anunciara que chegaria atrasada 15min, o que se prolongou por quase 30 min. Sentia-me cansado, mas tranquilo. A minha companhia de viagem seguiu o seu caminho e disse me antes de ir embora:
-Até um dia irmão Lourenço! E bom namoro! – atirou, com um sorriso sarcástico.
Como se tratasse de uma peça de teatro, segundos depois, Tânia liga-me anunciando a sua entrada em cena! – ‘Tás onde?
- E tu, ‘tás onde? É mais fácil assim!
- Ah, já te vi! – disse Tânia prontamente.
Olhei para o meu lado direito e a sua pessoa caminhava na minha direção com uma saia super elegante, meias de vidro e um andar tímido e meio descoordenado. Gostei da forma como entrou em cena. Eu sorri. Ela retribui-me com um sorriso que me deixou a pensar se foi efeito do meu contagiante sorriso. Meio atabalhoada, quisera beijar meu rosto.
- Na cara? – perguntei surpreso.
Apanhei-a de surpresa. Posicionou-se para um “chocho” seco e rápido.
Após uma ou duas horas a conhecer a cidade e após uma pausa para o lanche, fomos até a um jardim, de certa forma movimentado e calmo. Sentámo-nos num banco sem apoio. Ela sentou-se na ponta do banco. Eu estava por trás, de pernas abertas. Quando me encostei à sua pessoa para a massagem anunciada, uma brisa passou por nós como se a natureza adivinhasse o desfecho.
Toquei-lhe nos ombros descaídos. Estava tensa, contraída. Pedi-lhe para fechar os olhos – Vais levar a tua consciência às diferentes partes do teu corpo que eu for referindo. Fecha os olhos e relaxa.
A sua pele era tão macia...
Passei as minhas mãos pelos seus ombros e pescoço, vincando-as bem sobre os seus esternocleidomastóideos tensos.
Sem aviso prévio, Tânia solta um suspiro que fez par com um ligeiro tremor que percorreu todo o seu corpo. Aquela mensagem avisou os meus neurónios e chegou ao cérebro mais rápido que a luz. Senti vontade de virar-lhe o rosto ligeiramente e beijá-la, mas contive-me. A paciência é a minha maior virtude, aquela era a minha praia, é naquilo que eu sou bom, que domino. Dar prazer a uma mulher através das preliminares era, para mim, ser como um peixe dentro de água!
As minhas mãos percorreram a sua cintura, enquanto sussurrava de leve no seu ouvido:
- O teu corpo está leve, muito leve...
- Tu ‘tás a provocar-me. ‘Tás a tocar em zonas...
A frase ficou suspensa no ar.
O clima ficou tenso, como se, de repente, a primavera ficasse verão. Os meus lábios secos tocavam de leve o seu pescoço. As minhas mãos percorriam todas as suas costas, como se procurassem algo. Os meus sussurros eram irritantemente excitantes, a minha voz estava pausada e suave, sempre no mesmo tom. Toda essa combinação oferecia uma consequência a Tânia: gemia de leve. As mãos entrelaçadas entre as pernas trémulas passavam a mensagem de que estava a prestes acontecer uma explosão dentro dela, uma explosão de sensações eróticas e excitantes.
Atrevido, passei as mãos pela sua barriga firme e fui subindo até ao seu peito, que me pareceu desenhado com o rigor de um arquiteto veterano. Tânia gemeu e contraiu-se de forma tão descarada, que os seus movimentos a obrigavam a ficar com o tronco ereto. Aquilo excitava me, dava-me gozo: aquela rapariga que mexera comigo por telefone tornava-se cada vez mais interessante. Queria explorá-la, conhecer cada milímetro do seu corpo, beijá-la intensamente, fodê-la com profissionalismo, lambê-la, mordê-la, arranhá-la. Queria que ela se sentisse minha entre quatro paredes. Ela, mesmo sem se mexer, estava a aumentar a minha tesão. Mas eu mantinha me firme, sempre no controlo. O seu cheiro era fresco e suave remetia-me para a natureza e paz interior. Era inebriante, tão viciante… Inspirei profundamente e soltei-a, pois o melhor estava para vir.

17.4.14

Boys

Fazendo uma introspeção e analisando a minha vida pessoal, questiono-me que raio de pessoa (supostamente normal e respeitável) sou eu. Vejamos porquê.
Boy number one - fomos apresentados por uma boa amiga em comum. É o tipo de rapaz que nunca passará de um fuck budie. Digamos que ele não é uma pessoa apaixonável, uma vez que é incapaz de nutrir sentimentos que passem além do desejo. Ainda assim, é uma pessoa super interessante e uma ótima companhia. É ótimo para beber uns copos e para encontros regulares.
Boy number two - conhecemo-nos há cinco anos e, ao longo do tempo, começámos a desenvolver sentimentos pelo outro. No início achava que era amor, mas era uma garota, sabia lá o que é isso. Ainda hoje não sei o que é. Com o tempo, comecei a pensar que era apenas aquela dedicação que o fazia vir de Sintra até à modesta aldeia leiriense que me atraía nele. Mais que desejada, ele fazia-me sentir querida e amada. Os nossos encontros pouco regulares mas intensos reforçam ainda mais as minha opiniões.
Boy number three - conhecido na Net, tornou-se uma pessoa com alguma proximidade, dadas as parecenças que encontrámos entre nós. As chamadas noturnas e as videochamadas via Skype foram nos aproximando cada vez mais, mas, quando arranjou uma namorada, quase abri uma guerra declarada contra ele. Senti uma espécie de revolta que não sabia se se devia à perda de exclusividade ou ao ego ferido. Estava mais que provado que eu, aqui ao longe, nunca iria impedi-lo de ter relações sérias com alguém que dele está próximo. Nem sei o que me passou pela cabeça para achar que isso aconteceria. As nossas conversas, que se baseavam em desabafos, conselhos e até algum flirt, passaram a palavras curtas e cheias da minha raiva. Com um pouco menos de hostilidade, decidimos marcar um encontro para nos conhecermos pessoalmente. Estaria tudo bem, se ele não me pegasse de surpresa e me beijasse em plena rua. Depois dos tiros atirados um ao outro e dos destroços que ficaram da quase relação normal que tínhamos, não imaginava que as coisas descaíssem para esse lado, até porque não houve flirt durante o tempo todo que estivemos juntos.
Que raio de pessoa sou eu que se sente insatisfeita com a atenção de três pessoas totalmente distintas? Incapaz de me sentir completa, vou procurando não sei bem o quê nos braços de outra pessoa. O mais estranho ainda é que eu nem sei se sinto realmente algo por essas pessoas. Será carência extrema?

23.3.14

Sick of this

Mais uma vez venho eu reclamar da minha aparência, reclamar que não tenho quem se preocupe quando quem mais se deveria preocupar sou eu. Quem me vê de longe deve achar que passo o dia a comer porcarias mas a verdade é que o peso vem aumentando ao longo dos anos sem eu perceber realmente porquê. Faço exercício regularmente mais que duas vezes por semana, sempre fiz, e não, não estou a falar das aulas de física. Realmente, o meu desespero está a atingir patamares preocupantes.

22.9.13

Debate Semanal #1

  A vontade de ser mãe já despertou há algum tempo. Imagino-me a cuidar dele, a dar-lhe de mamar, agar-lhe nos dedinhos, sentir aquela paz só de olhar para ele, protegê-lo...
  Não o farei agora. Bebés precisam de conforto, comida, cuidados... todos aqueles bens que não posso dar agora. Por outro lado, precisam de estabilidade, uma mãe que saiba separar o bom do menos bom, que saiba deixar o filho cometer os seus erros, que o saiba criar para o mundo e não para si, que o saiba criar com "as doses certas" (a dose certa de carinho, a dose certa de regra e disciplina, por aí fora). Mas sei que um dia serei capaz de fazer tudo isso. Seria até um desgosto se não fosse fértil, mas há outras maneiras de ser mãe. Um dia há de chegar esse momento. Assim espero. :)
  Ser mãe não me preocupa. O "ser pai" é que me preocupa. Encontrar o homem que queira ser progenitor e pai é que é mais complicado. Encontrar o homem decente que queira ser responsável por colocar uma vida no mundo, cuidar dela e, sobretudo, ser pai. Ser verdadeiramente pai. Estar lá nos momentos felizes e de angústia, não fugir quando tudo corre mal ou pôr as culpas na mãe quando algo dá para o torto, saber lidar com adolescentes em climas de tensão, dar atenção e saber sorrir mesmo quando o dia não correu bem... Isto, sim, é difícil encontrar. E eu até estaria disposta a abdicar de um pai para ser mãe.
  É aqui que surge o meu dilema: seria justo, para com o meu filho, privá-lo de ter pai, só porque quis ser demasiado protetora?

30.8.13

Nunca Tive

  Nunca tive um irmão que se preocupasse comigo, que me acordasse de manhã para me chamar para a escola. Nunca tive um irmão que me chamasse para o pequeno-almoço. Nunca tive um irmão que se sentasse na minha cama quando eu chorei (e choro) só para perguntar o que se passa. Nunca tive um irmão que me perguntasse como vai a escola, como vai a vida, como vão os rapazes ou as raparigas. Nunca tive um irmão que saísse comigo para ir passear, para me levar a sair com ele. Nunca tive um irmão que me desse colo, que se sentasse no mesmo sofá que eu para assistirmos ao mesmo filme. E, no entanto, eu tentei conquistar esse irmão, perguntando como vai a vida, os estudos, as férias. Tentei. Ainda assim, foi ele que disse que nunca teve uma irmã.
  Nunca tive um irmão, contudo, nunca fui filha única.
  Eu sinto falta desse irmão agora.

Once again

  Eu não estava apaixonada por ele. Estava apaixonada pela ideia de ser feliz e de ter alguém que estivesse sempre por perto para cuidar de mim. Que parva que fui. Agora estou eu aqui a tentar juntar os cacos de novo.

25.8.13

Lágrima Madrugadora

  O que me levaria a escrever de madrugada? Teimosia, insónia, tristeza, rebeldia? Não me ocorre uma resposta óbvia.

  Tenho a mesma música em replay à cerca de 4 horas. Não é que seja a minha música favorita, mas há algo na sua melodia que me faz pensar. Como eu queria alguém do meu lado só para olhar pra mim. Só para pousar os seus olhos sobre mim num ato de quase proteção. Para falar comigo sobre as ondas ou o vento. Só para eu me sentir alguém. Tenho saudades daquele olhar intenso, daqueles momentos em que nos sentávamos no chão, de pijama e pés descalços. Não precisava de mais nada, só daquele olhar. Aquele. Quando cruzávamos olhares dava-me vontade de sorrir. Sem segundas intenções, sem olhares atrevidos, apenas o olhar de quem olha para uma rosa. Podíamos ficar longos minutos em silêncio que nenhum de nós se sentiria incomodado. Só o olhar nos confortava, nos preenchia. Poderia até ouvir os seus olhos, se escutasse com atenção. Ouvir o que eles teriam pra me dizer. Ouvir um sorriso, ouvir um sussurro, ouvir uma voz tranquilizante. Quem disse que os olhos não falam? Apenas temos de estar receptivos à sua voz. É disso que tenho saudades, da alma caridosa que estava lá a olhar por e para mim. Não foi preciso me abraçar pra sentir o seu calor. Bastou encostar a cabeça no seu ombro e olhar para a lua.
  Tenho pena que nem todas as pessoas compreendam a amizade de dois seres (quase) heterossexuais de sexos opostos.

23.8.13

Hallo!

  É verdade, estou de volta. Não morri, não fiquei doente, não nada. Olhando para trás começo a pensar que hibernei durante uns meses. Enfim, vou vos contar o que pouco tem acontecido nesta vida aborrecida.
  A minha última aparição foi a 10 de abril, durante um período bastante confuso e atribulado. Ora me arrastava pelos cantos, ora batia com a cabeça nos cantos de tanta energia. Quanto a isso, pouco mudou. Ando a bater mais frequentemente com a cabeça na parede.
  Tenho andado a comer saudavelmente e tenho andado a traçar metas reais para não desanimar. Sem vómitos, sem jejuns. Estou a fazer tudo certo e a balança confirma.
  Quanto a projetos, pretendo acabar o 12º ano de Línguas/Humanidades com média de 17, para poder entrar em Psicologia sem problemas. O meu objetivo era entrar em Psicologia Forense já na licenciatura, mas a única faculdade que tinha esse curso aberto, fechou o curso. :( Terei de me licenciar em Psicologia e tirar o mestrado de Psicologia Forense. Somando anos, só terei acabado a minha formação em 5 anos.
  Falando em formações: parece que me formei no curso "como gostar da pessoa errada". Envolvi-me numa relação (séria) à distância que só não resultou porque ele me via mais como um hobby do que como uma real girlfriend. Enfim... A relação não podia ter acabado pior: quase que por mensagens. Acho que até hoje ele não se apercebeu que a nossa pseudo-relação terminou. Anyway, life goes on.

  Prometo que vou ficar grudada nos vossos blogues. Adiós cibernautas!
  

10.4.13

Introspeção - Bipolar

  "Forma de transtorno de humor caracterizado pela variação extrema do humor entre uma fase maníaca ou hipomaníaca, que são estágios diferentes pela gradação dos seus sintomas, hiperatividade física e mental, e uma fase de depressão, inibição, lentidão para conceber e realizar ideias, e ansiedade ou tristeza.
  As crises no início são espaçadas, e quase não se percebe a diferença dos sintomas para os traços de personalidade do indivíduo, ou mesmo episódios isolados de tristeza, ou de muita alegria, competência nos trabalhos ou estudos, sensualidade, ou um certo descuido com a vida financeira.
  O transtorno bipolar do humor, também conhecido como distúrbio bipolar, é uma doença caracterizada por episódios repetidos, ou alternados, de mania e depressão. Uma pessoa com transtorno bipolar está sujeita a episódios de extrema alegria, euforia e humor excessivamente elevado (mania), e também a episódios de humor muito baixo e desespero (depressão). Entre os episódios, é comum que passe por períodos de normalidade.
  O indivíduo deprimido em geral se sente abatido, quieto e triste. Pode dormir muito, como uma fuga do convívio, reclamar de cansaço em tarefas simples como escovar os dentes, apresentar traços de baixa auto-estima e de sentimentos de inferioridade. Demonstra pouco interesse pelos acontecimentos e coisas e pode se isolar da família e amigos.
  É comum nesta fase pensamentos suicidas, uma vez que o indivíduo se sente mal em sua vida e sem energia para mudá-la. A conseqüência mais grave de uma depressão pode ser a concretização do suicídio.
  Na fase eufórica o indivíduo pode apresentar sentimentos de grandiosidade, poderes além dos que possui e grande entusiasmo. O indivíduo passa a dormir pouco, tornar-se agitado.
  Pode falar muito, ter muitas ideias ao mesmo tempo, sentindo os pensamentos bem mais acelerados, formando linhas de raciocínio difíceis de serem compreendidas por outras pessoas.
  Também é comum a irritabilidade, que associada com a impulsividade, pode levar o indivíduo a se envolver em mais brigas."

  Não sei se não será isto que vejo quando olho para mim.

9.3.13

The Water

  Dizem que a água é símbolo de pureza, de vitalidade, de vida, de leveza...
  Eu sempre gostei de água! Quando era pequenina (e ainda atualmente) passava 2 horas seguidas na água, quando ia à praia. No mar sinto-me poderosa. Sinto que consigo vencer a gravidade. Abro os braços e sinto-me voar!


  Quando fui a Cabo Verde, tive o prazer de estar a quase 20 metros da costa com uma água (razoavelmente) temperada. Estava a chover uma chuva quente (tropical) e estar rodeada de água não me assustou. Começou a fazer vento, os relâmpagos, wow... Sentir de perto tamanho fenómeno natural é, no mínimo, privilegiante. Grandioso até!
  A sensação de estar a flutuar (sem ter de sentir câimbras) é fantástica, é mágica! E ainda cometi a loucura de saltar de um penhasco de 6 metros apenas para voar por alguns segundos... Começo a achar que a liberdade tem imensa influência nas minhas ações/decisões...


  Já para não falar daqueles dias chuvosos e ventosos que me fazem ficar à janela durante horas... Vendo o vento fustigar árvores e o dilúvio cair do céu. Devo dizer que já fiquei constipada várias vezes só para olhar para o céu e sentir a água cair-me no rosto. Uns diriam estupidez (a minha), eu diria paixão...
  Mas todos cometemos loucuras... 

"A pior das loucuras é, sem dúvida, pretender ser sensato num mundo de doidos."

Erasmo




4.3.13

Marcada


            No sábado levei a surra da minha vida. Tudo porque queria ter voz, queria ter opinião. Queria que me escutasses pai, que me reconhecesses. Em vez disso, saltou a mãe como uma leoa e defendeu a posição de pai e autoridade que tens. Bati o pé, queria que cedessem! Minutos depois, arrependi-me.
A minha mãe obrigava-me a ir para o quarto de qualquer maneira, chegando mesmo a agarrar-me pelos cabelos. Ela queria exilar-me, ainda que fosse apenas a alguns metros da sala. Queria calar-me, queria que eu me submetesse. Lutando contra a dor e berrando para que parasse, ela continuava a marcar-me com aquelas mãos que me faziam carícias, outrora. Ouvia o meu pai de fundo a gritar “arranca-lhe a cabeça” como se de um duelo de gladiadores se tratasse. A meio do corredor cedi… sem forças olhei-a nos olhos e perguntei “se és mãe, como sei que és, não me abandones”. Ela responde friamente “se és minha filha, obedece-me”… deixei-me arrastar pela perna que estava magoada… Abandonada e incompreendida fui deixada no quarto… Trancada até. Pulei a janela desesperada em busca de ar. A minha mãe abandonara-me, arrancara-me metade do cabelo, fizera-me sangrar… Agora estava eu numa rua deserta, descalça e despenteada… Perdida e sem rumo. Que haveria de fazer senão chorar? Quando vi algumas aproximarem-se, corri. Ninguém me veria naquele estado, mas precisava que alguém me acalmasse. Entrei pela janela, exatamente de onde tinha saído e sentei-me em cima da cama, sentindo os pés duros e frios daquela corrida sobre brita. Deitei-me e esperei acordar do pesadelo. “WAKE UP!” Berrei… quis acordar… Só sentia dor real, provando-me (infelizmente) que não estava a sonhar. Liguei à única pessoa que me iria atender. Ao menos tinha uma. Despejei, chorei, solucei…
Agora que só restam marcas e pouco cabelo, ainda não te compreendo, mãe. Não te endendo, mas não guardo rancor. Admiro-te e continuo a gostar muito de ti. Ainda que não tenhas pedido desculpa, eu perdoo-te.
Quanto a ti, pai, não espero nada mais de ti.

2.3.13

O Desespero #1

                Escrever: algo que se faz de livre e espontânea vontade; algo que se faz feliz; ato de libertar e canalizar ideias e/ou pensamentos de forma a tornar o autor “mais leve”.
                Escusado será dizer que pareço um pedaço de papel amarrotado. As coisas que passam pela minha cabeça são tão deprimentes, que acho que nunca me imaginei encontrar-me num estado tão decrépito e miserável como neste meu estado atual. Chegar ao ponto de ter pena de mim própria acho que é mesmo (mesmo) o fim do poço. E vou eu, numa espiral sarcástica onde tenho pena de sentir pena… Shame on me...  Burn me then…
                Contarei por partes quão bem vai a minha maravilhosa vida, de uma maneira regressiva.
                Parte um: distensão muscular, glúteo direito – traduzido: rasguei o músculo do traseiro…
                Ainda mais virá!...

                Pense-se então: durante os picos depressivos, há uns dias em que parece que te estás a recuperar e há outros em que parece que te estás a afundar ainda mais. Tinha arranjado no desporto uma forma de elevar o meu “eu”, levando o meu corpo aos limites e ao pensamento “ter um objetivo é sempre bom”. Estava finalmente a ver resultados. Não por me dizerem “ENA!, estás bem mais magra!”, porque na realidade não era isso que sentia, mas por me sentir mais tough girl. Caí algumas vezes e… bem, levantei-me outras tantas. E, lá por volta da vigésima-quarta ou vigésima-quinta vez em que me tentava levantar, senti o corpo mal aquecido e uma dor latejante na coxa. Caricata situação: não conseguia sair da “posição de gatas” e, bem, proporcionei bastantes risos à malta que fazia de plateia, inclusive ao pessoal da ambulância, que esteve mais de meia hora para me conseguir levar para o hospital minimamente confortável. Os risos não me afetaram. Até eu me estava a rir das minhas desventuras. O pior era ter de lidar com a falta do meu “elevador”. Sentindo que a vida ia tirando tudo de mim, saí do ginásio, de maca e de cabeça baixa…

26.11.12

I just hate being depressed! HATE crying for no reason and feeling the worst masterpiece of crap ever.

12.11.12

Heart Of Stone

  Ele - Eu nunca contei a ninguém, mas eu já andava preocupado contigo. Toma conta de ti, por favor, miúda!
Eu - Sim, como se fizesse diferença...
Ele - Acredita que faz!
Eu - Não, não faz!
Ele - Não faz porquê?
Eu - Porque viva ou morta, simplesmente me sinto da mesma maneira.
Ele - Não digas isso!
Eu - Podes até não querer ouvir, mas não é não o dizendo que deixa de ser verdade...

9.11.12

Auto-Mutilada



Help, I have done it again 
I have been here many times before 
Hurt myself again today
And, the worst part is there's no-one else to blame 

Be my friend 
Hold me, wrap me up 
Unfold me 
I am small 
And needy 
Warm me up 
And breathe me 


Ouch I have lost myself again 
Lost myself and I am nowhere to be found, 
Yeah I think that I might break 
I've lost myself again and I feel unsafe

7.11.12

Storm took the Wind

  É mais fácil fingir do que tirar a máscara. Não os preocupar. Aquela que costumava ser ficou adormecida.
  Cantar... Costumava deixar-me contente e feliz. Hoje em dia relembra-me quão básica sou. "Alegra-te! Puxa por ti! Faz algo de útil!" dizia eu para mim todos os dias de manhã, esperando que isso fizesse a diferença. E fazia! Não do modo certo, não com o seu propósito.
  Voltaram os fantasmas, os eméticos, a falta de apetite, a revolta e o sentimento de inutilidade.
  Gostava de ouvir indie... alegrava-me e agora irrita-me. Tudo suave, tudo soft e harmonioso só para me lembrar do quão desequilibrada estou. Bamba, confusa, sem chão. "Get your ass up now! Pára de te lamentar e de te fazeres sentir como um asco!"... Tinha eu pena de mim mesma e do estado deplorável em que me encontrava e olhando-me ao espelho não sabendo para o que olho. "Quem és tu?" Sou a x, vivo ali perto de tal... "Não te perguntei onde vives nem o teu nome! Quem és?" Então, eu nasci aqui, tenho descendência afri... "Não te perguntei onde nasceste! Quem és?" Ora, sou alta, tenho os olhos escu... "Não te pedi para me dizeres as tuas características físicas ou psicológicas! Quem és?"... Não sei! "És feliz?" Talvez... "És infeliz?" Mais ou menos... "O que gostas em ti?" .........Aaa.....Pois... (Oh, vá lá! Consegues fazer melhor que isto!)... (Silêncio)...
  Eu costumava gostar de escrever... Costumava... Passado...
  Será isto uma perda de tempo? "A psicóloga tem pessoas mais importantes e preocupantes para atender." "Será que tenho, Tânia? Diz-me tu!"

28.10.12

Aventuras de primavera/verão



  Lembras-te das aventuras de primavera "barra" verão? É verdade! Ao que parece, foi mesmo coisa de primavera "barra" verão. O moço não me quis deixar fazer parte da vida dele e seis meses de pura insistência ou fazem de mim chata, ou fazem de mim parva. E parva não sou! O que me confunde é que quando o confrontei com o "se quiseres me mandar 'às favas' diz-me logo, homem!" não foi capaz de me dizer nem pau, nem pedra! Aquietou-se, parecia indeciso, em dúvida! Apetecia-me abaná-lo, dar-lhe uns açoites, umas chapaditas, para ver se acordava! O que é certo é que me cansei de andar atrás do rapazito, e dei-lhe o espaço que ele tanto queria. Tamanha disponibilidade para ele ocupava-me o tempo todo, já para não falar da carteira! Gastei umas boas dezenas de euros só para o ir ver! Mas a maior razão para tudo ficar em águas de bacalhau foi o outono ter chegado... Aposto!

17.10.12

Cuddle Weather


  É nestas manhãs chuvosas de abstinência que fico a olhar os pares de namorados e a sentir-me um pouco invejosa. Wish mine was here...

13.8.12

Aventuras de primavera/verão

  Depois do último encontro, estava mais que certo que teríamos de nos ver de novo, o mais depressa possível. E assim foi. Dirigi-me ao centro da cidade by myself  para ir ver o J.
  Debaixo de 30º andava eu na baixa passando uma leve olhada às tendências quando mãos desajeitadas me tapam os olhos. "Os sítios onde vou são assim tão previsíveis?".
  - Adivinha quem é!
  Seria algo tolo indagar-me de quem seriam aquelas mãos firmes e sedosas que me estavam a cobrir os olhos. É claro que sabia!
  Quando me virei senti que o via pela primeira vez. O seu rosto sempre me fascinou. Aquelas linhas perfeitas, os olhos redondos, a pele escura e uniforme... Por um momento achei que decoraria aquela expressão para o resto da minha vida ( vá, pelo menos até ao fim do dia). Entretida nos meus pensamentos fui surpreendida por um beijo suave e um tanto ao quanto apaixonante.
  - Hum, olá! - disse eu com um sorriso aberto.
  Passeámos por uma meia hora, até que, surpreendida (mas não tanto), ele me diz:
  - Este é o meu prédio, queres subir?
  As esperanças de vir a conhecer o Cristiannis (o cão do J) eram minimamente escassas, mas o cão é um fofo e ao que parece "gostou" de mim. Eu sempre subi... se subi! E só desci mais de 2 horas depois, com um ar bem alegre e solto...
  Para bons entendedores, meia palavra basta... If you know what i mean...
  Afinal, estou a gostar muito dele...